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Lendo com atenção esta apostila, vamos saber como produzir nosso próprio adubo, através da reciclagem de inúmeros materiais que costumam ser desperdiçados e jogados fora. Porém estes materiais, quando devidamente aproveitados e compostados, transformam-se no adubo biológico de alta qualidade capaz de alimentar naturalmente o solo, fazer crescer plantas sadias e produtivas e alimentar uma população mais saudável, harmoniosa e feliz. |
Chamamos de composto orgânico, ou simplesmente composto, ao monte formado por diversos materiais - orgânicos em sua maioria, como as palhas e os estrumes, embora também entrem nele alguns materiais inorgânicos, como o ar, a água e um pouco de terra.
Para formar um composto, basta depositar esses materiais em camadas, uns sobre os outros, até o monte atingir 1,5m a 2m de altura (ver foto) e ali ficam fermentando e se decompondo durante 2 ou 3 meses, ao fim dos quais estarão transformados no adubo de alta qualidade (húmus) que desejamos.
As comunidades também precisam reciclar os seus recursos, reduzindo a pobreza e a poluição.
O que são materiais orgânicos?
São aqueles que estão "organizados" nos seres vivos,
que formam os "organismos" dos vegetais e animais (e são por eles
formados). Para a produção do composto, os materiais
orgânicos mais importantes são: palhas de capim e grama, folhas,
estrume, serragem, palha de arroz, urina, cinza, casca de ovo, pó
de café, cascas de frutas e legumes, sobras e matos da horta, bagaço
de cana etc.
O que são materiais inorgânicos?
Materiais inorgânicos são aqueles que não foram
produzidos pelos seres vivos, embora façam parte deles, como a água,
que está presente em todos os organismos. Exemplos de materiais
inorgânicos naturais que entram no preparo do composto: terra, água,
ar, calcáreo, pó de rochas etc. Existem ainda os adubos químicos,
inorgânicos e artificiais, sintéticos, produzidos pelas indústrias
de fertilizantes e vendidos no comércio sob várias formulações
e que não são utilizados na agricultura natural - nem na
popular.
O que é o húmus?
É o resultado natural da decomposição adequada
dos materiais orgânicos sobre o solo, na natureza, pela ação
dos microorganismos, insetos, minhocas etc., associados ao ar e à
água. A presença do húmus na terra agrícola
de boa qualidade é que lhe dá uma cor marrom escura característica
e é fator fundamental para a sua fertilidade natural e produtividade
sustentada. O presença do húmus melhora decisivamente as
condições físicas, químicas e biológicas
do solo, garantindo plantas saudáveis e pessoas sadias.
2. Quais as vantagens do Composto para o solo das hortas e roças?
As vantagens são as mesmas que a presença do húmus, na natureza, traz para os solos das florestas e das regiões mais férteis do mundo. Quando fazemos decompor uma mistura de materiais orgânicos no monte do composto, estamos reaproveitando - reciclando - uma valiosa quantidade de substâncias e elementos que fizeram parte da vida de plantas e animais e que podem ajudar outras plantas (e, indiretamente, animais) a crescer melhor e produzir mais. Podemos dizer que o composto melhora as condições físicas, químicas e biológicas do solo:
3. Quais os melhores materiais para formar
o Composto?
Misturamos basicamente materiais vegetais (palhas e sobras de plantas) com animais (estrume). Estudando a questão mais a fundo, precisamos misturar materiais ricos em carbono com outros ricos em nitrogênio.
4. Em que proporção deve
entrar cada material?
Geralmente, o composto terá 3 ou 4 vezes mais material vegetal (rico em carbono = palhas, folhas etc.) do que animal (rico em nitrogênio = estrume). Um composto só de palha e outros materiais ricos em carbono vai demorar muito para fermentar e se decompor e não se transformará num adubo potente. Por outro lado, um composto feito só de materiais ricos em nitrogênio vai apodrecer, soltar mau cheiro, e reduzir muito de tamanho.
Quase todos os materiais já contém uma combinação de carbono e nitrogênio. Por exemplo: o capim, embora tenha muito carboidrato, também tem sua proteína. E o estrume, embora seja fonte importante de nitrogênio, também tem carboidrato. Existem materiais que são quase só carboidrato (por exemplo, a serragem) e outros que são quase só proteína (sangue seco de animais). Compostar materiais assim desequilibrados exige cuidados para contrabalançar a proporção. Por exemplo: quantidade de serragem igual à de estrume, ou dez vezes mais palha que farinha de sangue.
Mas o ideal é que a pilha de composto seja formada por uma variedade maior de materiais. Restos da horta (folhas velhas, plantas esgotadas, matos capinados etc.), cascas de frutas e legumes da cozinha, pó de café, cinzas também devem ser aproveitados. Também devem entrar no composto um pouco de terra (até 5% do total) e um pouco de composto pronto, já preparado em outros montes (até 15%).
Outros elementos importantes que também devem estar presentes no composto:
Porém, se o monte estiver muito encharcado, não haverá
ar para os microorganismos aeróbios e a decomposição
vai se tornar anaeróbica (microorganismos especializados em putrefação)
com produção de mau cheiro. Nesse caso, devemos revirar o
composto, reamontoá-lo e recobrir de palha.
De preferência, o lugar deve ser amplo para caberem 2 ou 3 compostos, no mínimo, lado a lado ou um depois do outro. Isto facilitará o manejo dos materiais e nos permitirá jogar um pouco do composto já pronto (dos montes mais velhos) no meio dos montes mais novos, que estão sendo montados. O local deve ser de fácil acesso, para facilitar o transporte até lá dos materiais que serão compostados, e, depois, para os canteiros da horta. Deve ser possível regar os montes, durante o preparo e também quando ficar muito tempo sem chover. Se os compostos puderem ser feitos à sombra, debaixo de árvores, ainda melhor.
6. Como preparar o composto?
A primeira coisa a fazer é recolher e concentrar materiais orgânicos, que possam ser compostados. Assim sendo, todos de olho na horta, para aproveitar todos os refugos, na cozinha de casa, para aproveitar os restos dos alimentos que não se pode comer, e na vizinhança, para aproveitar matos capinados, cinza de padarias ou olarias, serragem de serrarias e carpintarias, sobras de feira, estrume de vacarias e granjas, palhas de arroz e outras das beneficiadoras de cereais etc. É muito importante haver sempre uma reserva de palha onde preparamos o composto, para cobrir materiais como lixo de cozinha, que não podem ficar expostos.
Para começar o composto, capinamos (se houver capim e mato no local onde o faremos) um pedaço de chäo medindo um pouco mais do que o monte que planejamos preparar. O tamanho do composto dependerá da quantidade de materiais orgânicos disponíveis, mas nunca deverá medir mais que 2 metros de altura e 3 metros de largura, para que um pouco de ar possa estar presente em seu interior. O comprimento pode ser qualquer um, dependendo da quantidade de materiais e do espaço disponível.
A seguir, sobre o solo onde faremos o composto, formamos a primeira camada juntando um bocado de palha e o próprio mato capinado no local, até formar uma espécie de cama ou colchão sobre o chão, medindo de 1 a 3 metros de largura, com mais ou menos 20 centímetros de altura, e com o comprimento que desejarmos.
Sobre ela, depositamos uma camada de estrume, com 4 a 7 centímetros
de espessura, aproximadamente. Podemos dar uma regada nele, e, então,
colocamos outra camada de palha, capim, folha etc. sobre a camada de estrume.
Depois outra camada de estrume ou lixo de cascas e sobras de verduras,
legumes, frutas e raízes. Pode entrar um pouco de serragem ou de
cinza (de madeira, sem plásticos), bagaço de cana, "estrume"
de babaçu, etc. Sobre ela, mais uma camada de estrume e alguma
água. Depois outra camada de restos vegetais, palhas, folhas, restos
da horta etc. E de novo outra de estrume. As camadas de estrume são
mais finas que as de palha e restos vegetais. Também devemos
raspar um pouco de terra ao redor do monte que estamos fazendo e lançá-la
entre as camadas do composto, para introduzir nele maior quantidade de
microorganismos do solo e assim acelerar a sua decomposição.
Se estivermos fazendo nosso composto aos poucos, uma camada hoje, outra depois de amanhã, algum lixo de cozinha dia sim, dia não, de repente um pouco de estrume achado perto de casa, ou o mato que a prefeitura capinou, etc., então, sempre que colocarmos uma camada de estrume ou de lixo de cozinha, devemos cobri-la imediatamente com uma boa camada de algum tipo de palha, para evitar as moscas e o mau cheiro e contribuir para o "visual" estético da horta.
Por fim, o último segredo do composto bem feito é fazer as camadas depositando os materiais mais pelas beiradas do monte do que no centro dele, para que ele suba com a mesma largura, diminuindo bem aos poucos e terminando com uma superfície plana e larga, e näo numa ponta fina.
7. Quanto tempo demora para o composto ficar pronto e poder ser usado?
Dependendo um pouco dos materiais que foram usados, o composto estará suficientemente decomposto após 2, 3 ou 4 meses de preparo. Se os materiais vegetais forem mais finos, como aparas de grama, folhas e cascas de frutas, e houver bastante nitrogênio, ar e umidade, a decomposição será bem rápida. Materiais mais grosseiros demoram mais.
Se os materiais forem picados ou triturados antes de serem depositados no monte, eles terão sua decomposição acelerada. No composto pronto para uso, os materiais colocados nele já não estão mais reconhecíveis; sua cor é marrom escuro e seu cheiro é o mesmo que a terra fértil exala quando começa a chover.
Um maneira prática de acelerar o processo de decomposição é revirar o monte de 20 em 20 dias, para renovar o estoque de ar à disposição dos microorganismos. Após 60 ou 90 dias de formado, o composto estará, em sua maior parte, transformado em húmus, porém, talvez, nem todos os materiais nele misturados estarão completamente decompostos. Mesmo assim o composto já poderá ser espalhado na terra da horta, da roça, do jardim ou do pomar, onde a decomposição dos materiais continuará ocorrendo, liberando nutrientes valiosos para as plantas e enriquecendo a vida do solo.
8. Que quantidade de composto deve ser usada nos canteiros e quando?
Para a adubação inicial do canteiro, podemos incorporar 20 a 30 kg de composto por m2. Depois, a cada adubação de manutenção ou renovação do canteiro, 5, 10 ou 15 kg por m2. Na prática, usamos um carrinho de mão de composto para cada 2 m2 de canteiro (para a adubação inicial) e 2 baldes de composto por m2 (para a manutenção). O Podemos também aplicar, de vez em quando, um balde de composto por m2 para apenas para cobrir o solo dos canteiros. Nesse caso, o composto é apenas jogado entre as plantas, de modo a cobrir a terra, sem misturar, para protegê-la do sol. Depois, é só regar bem. E bons cultivos!