Resumo de projeto de despoluição do Rio Preto, em Mauá, RJ
  Jornal contendo o resumo do
  projeto de despoluição do Rio Preto
  na Região de Visconde de Mauá, Resende, RJ

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   Última chance?

Vamos salvar o Rio Preto?
   Quem mora na região de Visconde de Mauá, Maringá e Maromba sabe que o Rio Preto já não é mais o mesmo que era há poucos anos atrás. 
  Por causa do crescimento de nossas comunidades, sem o merecido cuidado com o lixo e o esgoto produzidos por moradores e turistas, nosso rio quase não tem mais peixes, e até o banho em alguns pontos dele já não é recomendado, pois há risco de doenças. 
   Todos nós percebemos que essa situação não pode continuar, e que é preciso salvar logo o Rio Preto, mas o que podemos fazer?
  Preocupados com o futuro do Rio Preto - e também preocupados com o futuro de nossas comunidades - um grupo de jovens da região de Mauá e arredores, participantes do projeto "Integrando Ações na Mantiqueira", realizou uma pesquisa para identificar uma solução capaz de recuperá-lo. 
   Foi em uma comunidade na região de Petrópolis que nossos jovens conheceram um sistema de tratamento de esgoto barato e eficiente, já em uso, com sucesso, em todo o mundo. 
   Conheça aqui essa proposta e saiba o que você pode fazer para ajudar o Rio Preto. 
A importância 
do Rio Preto

 O Rio Preto nasce na Serra da Mantiqueira, entre os estados do Rio e Minas Gerais, cruza as comunidades de Maromba e Maringá (município de Itatiaia) e Visconde de Mauá, Lote Dez, Campo Alegre e Rio Preto (em Resende), até desaguar no Rio Paraíibuna, que deságua no Rio Paraíba do Sul na altura de Três Rios, a tempo de abastecer cidades como Campos e outras.
   A bacia do Rio Preto faz parte da bacia do Rio Paraíba do Sul, que inclui importantes cidades entre o Rio e São Paulo e concentra grande parte da população do Brasil.
   Limpar o Rio Preto e deter a crescente poluição do Rio Paraíba ajudará a proteger a água consumida por milhões de brasileiros.


Sim, vamos salvar o Rio Preto!
  O sistema de tratamento de esgoto proposto, considerado o mais apropriado para a região de Visconde de Mauá e arredores, transforma o esgoto em adubo, gás para cozinha e água limpa, que é devolvida para o Rio Preto. 
   Este sistema, chamado de "biossistema integrado" (ver desenho abaixo), tem as vantagens de ser eficiente e barato, podendo ser construído com materiais bem comuns, como tijolo e cimento, e operado facilmente por moradores locais, devidamente orientados. 
  Sistemas assim, baseados em biodigestores, estão em operação em todo o mundo, tratando os esgotos de comunidades semelhantes às nossas em muitos países, como China, Espanha, Índia e Estados Unidos.
  No biodigestor, as fezes e a urina são contidas em um compartimento impermeável, subterrâneo, onde se decompõem e se transformam em húmus (adubo natural de alta qualidade) e em "biogás", usado para cozinhar ou iluminar áreas públicas. A água que sobra do processo é conduzida para o Rio Preto, perfeitamente adequada para a reprodução dos peixes e para banhos no rio. 
  A proposta dos estudantes, com apoio dos técnicos da ONG "O Instituto Ambiental", é construir um biossistema na Maromba e outro em Maringá (RJ), pois lá se encontram, hoje, os dois primeiros focos de poluição do Rio Preto, pelo esgoto produzido em residências, pousadas, restaurantes e lojas da região.
   Em cada uma dessas comunidades, o esgoto que hoje é coletado e levado para uma fossa que despeja no Rio Preto, passará a ser conduzido para tratamento no biossistema. 
   Para tratar o esgoto do Lote 10, o processo será mais completo, já que há espaço para incluir quatro tanques de purificação que garantirão pureza ainda maior da água devolvida ao Rio Preto.

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Nossa proposta:
Os biossistemas que estamos propondo serão o primeiro passo para chegarmos um dia à recuperação total do Rio Preto. Começaremos instalando um na Maromba e outro em Maringá, com capacidade de tratar, cada um, os esgotos de cerca de 40 a 50 casas e negócios, o que representa mais de 50% do esgoto hoje encaminhado para as fossas daquelas comunidades, e daí para o rio, contaminando-o com gordura e coliformes fecais. Tratada pelos biossistemas, a água devolvida ao rio atenderá aos padrões de balneabilidade (banho de rio sem risco de doenças). Cada biossistema, formado por biodigestor, caixas de entrada e saída, filtros etc. ocupará 27m2 e custará cerca de R$ 15 mil.
No Lote 10, pelo maior número de casas, serão necessários dois biossistemas, cada um custando cerca de R$ 15 mil. O primeiro será construído na Rua Vista Bonita, continuação da Rua Prisciliana Maria de Jesus, e tratará os esgotos da parte alta. O outro, construído na Rua Venceslau Brás, tratará o esgoto da parte baixa. Se houver acordo com os proprietários da antiga granja, lá serão construídos 4 tanques de purificação, para obter água ainda mais pura, ocupando 1 hectare (10.000m2) e custo de R$ 70 mil. 
Para a Vila de Visconde de Mauá, está previsto um biossistema, que incluirá dois biodigestores, a ser construído em uma segunda etapa.
“Integrando Ações na Mantiqueira”
O Projeto “Integrando Ações na Mantiqueira” vem reunindo, desde 2001, setenta jovens residentes em cinco comunidades localizadas dentro da A.P.A. da Mantiqueira (sendo doze deles moradores na região de Visconde de Mauá), em ações visando a educação ambiental e a recuperação ecológica e cultural dessas localidades. O projeto é uma iniciativa da ong Crescente Fértil (R.J.), e conta com o apoio da Fundação Luterana de Diaconia e de ongs da Alemanha.
OIA - O Instituto Ambiental
O OIA é uma associação de técnicos e professores interessados em divulgar soluções que promovam a melhora do ambiente natural e econômico pela reciclagem do que hoje é poluente.
Nos dez anos desde sua criação, o OIA já implantou mais de vinte biodigestores em diversas comunidades, em creches, centros comunitários, cooperativas de habitação, sempre envolvendo os agentes locais como parceiros fundamentais.
As realizações do OIA, inclusive na exterior (Espanha) lhe garantiram prêmios e muitas reportagens, em jornais e na televisão, divulgando seu trabalho. 
 
Formas de participar
  Se você quer mesmo ajudar o Rio Preto, e ao mesmo tempo melhorar a sua própria qualidade de vida, assine o abaixo-assinado que pede às autoridades que viabilizem a recuperação de nosso rio, construindo esses equipamentos nas comunidades da Maromba, Maringá e Lote 10.
  Para maiores informações, ou para colaborar mais de perto neste esforço, procure os jovens participantes do projeto “Integrando Ações na Mantiqueira”, Assis, Cecéu, Fabrício, Halley, Pedro Alves, Rodrigo e Uirá, alunos do Escola Estadual Antonio Quirino, em Mauá, e Thier, aluno do curso supletivo da escola da Maromba.
O biodigestor na Maromba
Na Maromba, o biossistema (subterrâneo) será instalado na rua de baixo, onde hoje está a fossa que recebe os esgotos das casas e negócios ao redor da praça central.
O biodigestor em Maringá
Em Marimgá,  RJ, o biossistema (subterrâneo) será instalado no final da rua da ponte, onde hoje está localizada a fossa que recebe os esgotos das casas e negócios das proximidades.
Os biodigestores no Lote 10
Para tratar o esgoto do Lote 10, serão construídos dois biossistemas (subterrâneos). O primeiro na Rua Vista Bonita, e o outro na R. Venceslau Brás, que poderão ser ligados a 4 lagoas de purificação na área da antiga granja.
 
Edição Especial do Jornal Feliz
em parceria com a ONG Crescente Fértil
Junho 2003 - Visconde de Mauá, Resende, RJ
Editor do Jornal Feliz: Joaquim Moura (24) 3387-2214 jmoura@hotmail.com
Outras informações, recentemente obtidas de
Eduardo Inglês (OIA), a partir de nossas dúvidas

1. O biodigestor tratará somente as águas descarregadas das privadas, ou receberá toda a água servida das residências, pousadas, restaurantes etc., das três comunidades, incluindo cozinha, tanque, chuveiro etc.? Se for só das privadas, como se dará essa separação?
Resposta:  Como você pode notar na planta (reproduzida no jornal-resumo acima, de forma simplificada), utilizaremos um Biodigestor e um Biofiltro de fluxo ascendente. No caso de vocês, utilizaremos pedras como leito filtrante, por ser abundante nessa região. Como já existe uma rede coletora (que hoje conduz os esgotos para uma fossa próxima ao rio), sairia muito cara a separação das águas de sabão; contudo, quando for possível, trataremos a água das máquinas de lavar e tanques em separado, por métodos simples, como por exemplo a fertirrigação subterrânea, pois as raízes das arvores são excelente filtro e o excedente vai direto para o Biofiltro. As caixas de gordura e os sanitários podem ir para o Biodigestor sem problemas, a eventual presença de sabão na água somente prejudica um pouco a produção de gás (muitas máquinas de lavar jogando a água simultaneamente diretamente no Biodigestor por exemplo), pois os detergentes são tóxicos para as bactérias, que então necessitam de um tempo para recuperação de suas colônias.

2. Qual a capacidade de cada biodigestor para tratar os esgotos da comunidade onde será instalado? Como relacionar esta capacidade com o número de imóveis atendidos pelo sistema? Qual a vazão média atual dos esgotos de cada uma das três localidades, em m3/s?
Resposta: Primeiramente temos que trabalhar com a topografia do terreno para evitar a utilização de bombas elevatórias. Algumas normas e normativas da Feema ajudam no cálculo correto de residências (3 padrões), escolas, hotéis, bares e restaurantes. A vazão de esgoto também é baseada nessas normativas. Por exemplo: Numa residência de  padrão médio, a contribuição de esgoto é de 200 l/dia. Para se calcular a vazão em m3/s utiliza-se uma formula, para isso é necessário saber a quantidade de pessoas e locais que serão incluídos no projeto. Necessito de uma planta topográfica de cada região com a localização da atual fossa séptica e identificação (escolas, pousadas,casas por padrão, etc..) Caso  consiga a planta, posso passar uns dias aí para realizar este estudo. A identificação dos imóveis a serem atendidos é muito importante.

3. Como comparar a qualidade da água hoje encaminhada para o Rio Preto, pelo sistema atual (de fossa), com a qualidade da água que será devolvida ao Rio após tratamento em bio-digestor (Maromba e Maringá) e no Lote Dez/vila de Visconde de Mauá. Dá para comparar a poluição causada pelas três fossas que serão substituídas pelos sistemas de biodigestão com a poluição causada por fossas e despejos menores, mais individuais, que também existem ao longo do rio?
A qualidade da água é medida por análises laboratoriais (Em laboratório cadastrado pela Feema, que é o órgão regulador desta matéria). Com base nas amostras realizadas antes e depois da instalação do sistema do OIA, é que podemos comprovar a eficácia do  mesmo. As analises são caras (+ ou - R$300,00 cada) e é feita na entrada e saída de cada sistema. Posso lhe adiantar que os parâmetros encontrados nos nossos biossistemas são superiores ao exigido pela Feema e a água é devolvida a seu curso ou meio ambiente em condições de balneabilidade. Como forma de controle interno, medimos mais freqüentemente o Ph com o Kit para piscinas. O mais importante é saber a redução de coliformes totais e fecais e DBO e DQO. Em alguns sistemas instalados, conseguimos que pesquisadores (de Mestrado ou Pós- graduação por exemplo) desenvolvam alguma pesquisa baseada neles e assim conseguimos as análises de graça.

4. Mapa esquemático da locação-dimensionamento das instalações na Maromba, em Maringá e no Lote 10 - incluindo os tanques de purificação previstos para o Lote 10.
Estou enviando a planta dos sistemas para Maroba e Maringá (estão reproduzidas, simplificadas, no jornal-resumo, acima). Para as lagoas, necessito conhecer o solo e o espaço disponível no Lote 10, mas posso enviar-lhe, via fax, um esquema da ETE semelhante que implantamos no Carangola (já solicitei, e logo a disponibilizaremos aqui).